Resenha: O bater de suas asas, de Paul Hoffman,

Título: O bater de suas asas

Título: The beating of his wings

Autor: Paul Hoffman

Publicação: 2013

Número de páginas: 389 páginas

Editora: Suma de Letras Brasil

ISBN: 9788581051895

Galerinha viciada em livros, eis-me aqui, conforme prometido, trazendo a resenha do terceiro e último volume da trilogia A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman. Se a premissa da obra, baseada na vida do enigmático Thomas Cale – a fúria de Deus materializada – era interessante, o desfecho da saga, com O bater de suas asas, foi desastrosa, para dizer o mínimo. Cabe lembrar que torci o nariz desde o início pela displicência demonstrada pelo autor na construção de seu universo e dos personagens, todos eles, inclusive o protagonista, incapazes de gerar qualquer laço de empatia com o leitor e, talvez, por isso, minha leitura tenha guardado vieses. Contudo, pelo potencial das premissas dei um voto de confiança e segui, literalmente, me arrastando neste calvário literário.

Apesar das baixas expectativas, esperei muito para que, enfim, a estória deslanchasse para um grande final que compensasse toda a modorra dos volumes anteriores. Mas, infelizmente, o desejo de vingança contra o Santuário e seu antigo mentor, Bosco, não fizeram com que Thomas Cale batesse suas asas, como anunciado no título. Ele continuou um grande enigma, e, ao fim, não sabemos se ele realmente era o arauto do Juízo Final – o Anjo da Morte – ou apenas um órfão sádico, pelo menos eu não consegui chegar a nenhuma conclusão.

Não sei se rolou uma certa preguiça por parte do autor ou se, realmente, ele se perdeu no meio de sua proposta, mas o fato é que nada deu certo, isso, claro, na perspectiva elaborada a partir de minha leitura. Muitos personagens, ditos centrais, simplesmente sumiram, vários fatos importantes, porém inexplicáveis, continuaram sem nenhuma pista e, o clímax, foi pra lá de decepcionante. A narrativa é muito chata (bem, para ser justo, há alguns momentos interessantes, mas são poucos), cheia de furos e só continuei a leitura para trazer ao blog a resenha de toda a trilogia.

E, vale pontuar, existe uma grande diferença entre não gostar de uma estória e ela ser mal construída. Cito, por exemplo, a trilogia A Primeira lei, de Joe Abercrombie, uma obra super cultuada mundo afora. Pois é, eu sou uma das raras pessoas que não gostou, mas reconheço, sem dúvidas, de que a obra, em termos de world building, é impecável, no entanto, a narrativa não me atraiu. Acontece! Mas, no caso de A Mão Esquerda de Deus, além de a estória ser um porre, a construção da obra, em si, foi pessimamente desenvolvida. Acho que o próprio Hoffman percebeu que esta não era sua praia, tanto que não encontrei mais nenhuma obra de fantasia de sua autoria.

Em suma, essa foi a pior trilogia que li até o momento, mas, claro, deixando evidente que é apenas minha opinião. O que tenho observado dos leitores que se debruçaram sobre a saga de Thomas Cale é de que a obra é polarizada: ou você gosta muito ou odeia, sem meios termos. Acrescento, ainda, sem nenhum exagero, que toda a estória poderia ser contado, com folgas, em único volume, dado o excesso de fatos e personagens desnecessários. Em pouquíssimas vezes me encontrei nesta incômoda posição, mas encerro esta resenha não recomendando a obra, pelo menos aos leitores mais exigentes, que esperam viver profundas emoções em uma leitura.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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