Resenha: Blaze, de Richard Bachman

Título: Blaze

Autor: Richard Bachman (Stephen King)

Publicação: 2007

Número de páginas: 340 páginas

Editora: Hodder

ISBN: 9780340952245

Até que ponto o abuso durante a infância e/ou adolescência podem definir o tipo de adulto que uma pessoa será? Até que ponto a negligência do Poder Público, responsável pelo bem-estar de todos, pode ser a causa da existência de maus elementos na sociedade? Escolhe-se ser mau ou se é escolhido?

Blaze é um interessante romance escrito pelo brilhante Stephem King sob o pseudômino Richard Bachman. Aliás, é a última obra assinada pelo autor como Bachman e fecha muito bem o que se convencionou chamar de Livros do Bachman. Na história conhecemos Clayton Blaisdell Jr., ou simplesmente Blaze, um vigarista com algumas características físicas e mentais que fazem lembrar as lições de Cesare Lombroso, pai da criminologia moderna.

Negligenciado e abusado pelo próprio pai, o pequeno Blaze sofre um trauma que, além de deixá-lo com uma repugnante cicatriz, pode ter sido responsável pela diminuição de sua capacidade mental e, consequentemente, trazendo atraso de aprendizagem e problemas de pronuncia de algumas palavras. Levado para uma instituição, onde deveria ser amparado, acaba sofrendo humilhações daquele que deveria ser o seu mentor e dos demais garotos internados no local, o que resulta em um segundo trauma para o jovem e sua primeira condenação.

Quando uma família resolve cuidar do garoto, mais uma vez sua vida não é facilitada pela benevolência da perfeita família americana e mais formas de abuso acontecem. Já adulto e sem qualquer perspectiva na vida, ele se junta a alguns grupos de criminosos e o acaba realizando sozinho um dos planos de George, seu companheiro de trapaças. E é esse plano o principal ponto de partida da narrativa do livro.

Durante a leitura, o autor nos conduz a diferentes períodos da vida do personagem, todos com uma história ligada a negligências, humilhações, mas também bons momentos, em especial aqueles vividos ao lado do amigo de infância e internato John Cheltzman. Todavia, as partes da negligência servem para mostrar a ineficiência das ditas instituições educacionais e correcionais, públicas ou privadas, e o a falta de uma maior fiscalização do Poder Público em tais instituições.

Não é difícil se questionar a todo o instante, mesmo diante de uma escolha errada de Blaze, o quanto certos personagens foram responsáveis pelo que aconteceu. Isso porque, embora seja uma ficção, é inegável o grande número de Blazes que temos mundo afora e que têm um desfecho igual ao do protagonista da história. Ao terminar o livro, a pergunta que ficou foi: será que a história de Blaze teria sido diferente se alguém de fato tivesse se importado? O que remete a todas as perguntas do começo desta resenha.

Para finalizar, a edição deste livro traz um belo conto do autor, intitulado Memory. O conto foi publicado, em 2006, no Volume 7, Número 4 da revista Tin House. É uma narrativa de Edgar Freemantle sobre a sua recuperação após o terrível acidente que o vitimou. Para os fãs de Duma Key é uma leitura obrigatória.

.:.Até mais, gente!.:.

Sobre Cassy Teodoro

Fiel leitora de Stephen King. Fã de Supernatural, American Horror Story e filmes de terror. SJW. Green Ajah.
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2 respostas para Resenha: Blaze, de Richard Bachman

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