Resenha: Meio Mundo, de Joe Abercrombie.

Título: Meio Mundo

Título original: Half The World

Autor: Joe Abercrombie

Publicação: 2017

Número de páginas: 366 páginas

Editora: Arqueiro

ISBN: 9788580416411

Meio Mundo, uma continuação de respeito! Em poucas palavras, essa seria uma ótima síntese da extraordinária sequência da trilogia Mar Despedaçado, de Joe Abercrombie, que tem encantado o público mundo afora, e com todos os méritos. Continuamos acompanhando a saga de Yarvi, o protagonista principal, em busca do cumprimento de sua promessa de vingança contra os assassinos de seu pai e irmão.

Mas ele não está sozinho e divide os holofotes desta aventura com uma série de outros personagens notáveis, dentre os quais dois que merecem especial atenção: Thorn Bathu, uma garota comum, mas muito focada em seu objetivo de se tornar uma grande guerreira tal qual seu pai, e Brand, um guerreiro que se contrapõe à natureza beligerante de seu povo levado por um senso inabalável de buscar fazer o que é certo (muito embora, ante vários dilemas pessoais que lhe atormentam, as decisões que toma lhe custem muito caro).

Yarvi, agora um Ministro poderoso, usa sua incomparável perspicácia para cruzar meio mundo na busca de alianças contra o Rei Supremo, aquele que ameaça a frágil estabilidade de todo o Mar Despedaçado, e, nessa empreitada, usando Thorn e Brand como suas armas mais letais, Yarvi faz tudo ao seu alcance, não importando como, para que todos os obstáculos à consecução de seus objetivos sejam eliminados.

Merece menção o fato de este ser um livro de transição para o desfecho da série, logo, ele não traz os elementos que surpreenderam tanto em seu antecessor, o que de forma alguma deve desanimar o leitor pois, ainda assim, é uma obra esplendorosa, com todos os elementos de um grande épico literário.

Este é um livro sobre redenção, amadurecimento, contemplação, e, por sua cadência mais intimista e que nos convida à reflexão, vemos claramente elementos da natureza humana em debate: fidelidade, traição, ganância, a incessante busca por poder, a dor da perda, a dicotomia certo x errado, fins x meios. E tudo isso, claro, já que se trata de Abercrombie, entremeado em cenas de muito sangue, tensão e magia – o que deixa a narrativa muito interessante, em um equilíbrio perfeito dentro daquilo que o autor propõe – onde vemos histórias se cruzando, velhos personagens reaparecendo e uma série de possibilidade se abrindo para o tão esperado fim desta trilogia que, certamente, terá lugar cativo no panteão das grandes obras de fantasia.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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