Resenha: O conto da Aia, de Margaret Atwood

Título: The Handmaid’s Tale

Autora: Margaret Atwood

Número de páginas: 356 páginas

Publicação: 1985

Editora: HMH Books

ISBN: 9780547345666

The Handmaid’s Tale é um romance distópico, de autoria da escritora canadense Margaret Atwood, cuja a trama se passa em um futuro próximo. Recentemente o livro ganhou uma adaptação de mesmo nome e, também, uma continuação intitulada The Testaments.

Na história, o leitor é apresentado à República de Gilead, teonomia cristã militar resultante de um golpe sofrido pelo governo dos Estados Unidos. Os habitantes de Gilead vivem sob um regime totalitário fundamentalista cristão baseado no conservadorismo, tendo a lei divina como a lei maior do país, em especial, baseada nos escritos do Antigo Testamento.

Tal regime extirpou os direitos das mulheres. Ler, andar livremente em público, trabalhar, planejar a sua própria vida, casar ou permanecer solteira, ter ou não ter filhos, falar ou se expressar, usar a roupa que quiser são proibidos pelo novo regime. A única coisa permitida é exercer tarefas dentro de um ambiente doméstico obedecendo-se uma ordem hierárquica. É possível realizar tarefas externas, mas tudo é vigiado.

Quem nos conta tudo sobre esse horrível regime é a Aia Offred. Ela relata tudo que passa dentro da casa do seu Commander e o triste evento que tem que se sujeitar, denominado a Cerimônia. Através do relato da rotina dentro da casa do Commander, o leitor é apresentado ao modo de divisão de tarefas em uma escala hierárquica onde existem as Esposas, são literalmente as esposas dos Commanders e ocupam um posto elevado na hierarquia feminina dentro da residência. A vestimenta das Esposas é azul.

Ainda temos as Marthas que, por serem inférteis, acabam por servir como domésticas, desempenhando os principais deveres de limpeza e serviços gerais das residências. Temos também as Aunts (Tias) que treinam as Handmaids. Por fim temos as Handmais, as Aias, que são as que desempenham o papel de reprodutoras dos Commanders e têm a tarefa de fazerem compras para abastecer a casa e suas vestimentas são vermelhas (daí a imagem em muitas artes de capa das diversas edições do livro).

A Offred oferece muitos detalhes, sob o ponto de vista dela, a narrativa é em primeira pessoa, sobre o funcionamento desse sistema. É bem triste, para não dizer nojento, o que todas, em especial as Aias, têm que se sujeitar. Detalhes sobre a vida antes do golpe (termo usado no livro) também são mencionados na narrativa e deixam um sentimento de revolta, pois de um dia para o outro, literalmente, a vida de todos, mas em especial das mulheres sofre uma mudança brusca e para pior, sem qualquer perspectiva de uma dia o golpe ser revertido, apesar de parecer ter um grupo que tenta resistir ao regime implantado.

O desfecho do livro fica em aberto e anos depois temos uma especie de congresso cujo objetivo é tratar sobre os relatos da Offred, dando ao leitor uma ideia, bem vaga, do que pode ter acontecido com ela, porém, ao invés de debater essa perda de direitos e ser mais humanizado, acaba por ser um relato que deixa uma sensação de revolta no leitor também, pela de empatia com o próximo vinda dos participantes do evento.

Por falar em empatia, não posso esquecer de citar que, apesar de passaram por momentos similares de perda de direitos, há uma constante falta de empatia entre as mulheres. Compreensível, mas ainda bem desagradável de ler. Afinal, a palavra de uma mulher não tem valor.

.:.Até mais, gente!.:.

Sobre Cassy Teodoro

Constant Reader. SJW. Green Ajah.
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