Resenha: Rage, de Richard Bachman

Rage capaTítulo: Rage

Autor: Richard Bachman (pseudônimo de Stephen King)

Publicação: 06 de setembro de 1977

Número de páginas: 131 páginas

Editora: Signet

ISBN: 9780451076458

Rage é o primeiro livro lançado pelo Stephen King sob o pseudônimo Richard Bachman. Apesar de publicado em 1977, o livro foi escrito em 1966, por volta de 11 anos antes do seu lançamento pela editora Signet. No Brasil, o livro foi publicado com o título Fúria em meados dos anos 80 pela editora Francisco Alves.

Rage também faz parte de uma antologia conhecida como The Bachman Books, onde estão reunidos em um único volume os quatro primeiro romances publicado sob o pseudônimo Richard Bachman.

Por um motivo especial, o Stephen King pediu à editora para não mais publicar novas edições de Rage. No site do autor, há inclusive uma nota na página do livro com os seguintes dizeres: “Futuros exemplares deste romance não serão impressos a pedido do Stephen devido à natureza delicada do conteúdo.”

O motivo que levou ao pedido de cancelamento, ou banimento, do livro pelo próprio autor foi a tragédia acontecida no dia 20 de abril de 1999, no Condado de Jefferson, estado do Colorado nos Estados Unidos, no Instituto Columbine, que ficou conhecida como Massacre em Columbine. (Caso estejam curiosos, fiquem a vontade para fazer a pesquisa no Google para saber mais sobre esse caso)

Mesmo cancelado é possível encontrar o livro, tanto a edição original quanto a edição brasileira, creio eu, em sebos ou através de outros leitores. Fiquem a vontade para procurar. Não deixarei e nem indicarei links, portanto, não peçam nenhum nos comentários e nem peçam por email.

A história de Rage se passa na fictícia cidade de Placerville, localizada no Maine, Estados Unidos. Lá o jovem Charlie Decker acaba tendo o seu dia de fúria e decide, entre outras coisas, manter os seus colegas de classe como reféns.

O que poderia parecer apenas mais um caso de delinquência, mostra-se, na verdade, como uma maravilhosamente bem escrita crítica ao sistema educacional norte-americano, aliado à falência da instituição familiar, retratada através dos pais de Charlie, à repressão sexual e crise existencial (algo que o próprio autor disse estar passando quando escreveu o livro), problemas da adolescência e hipocrisia da sociedade americana. Aliás, a parte da hipocrisia está muito descrita quando o leitor conhece mais de outros personagens, em especial aqueles que deveriam cuidar da educação moral e acadêmica dos adolescentes que aparecem no livro.

A narrativa fica ainda mais real pelo fato da história ser contada pelo próprio Charlie, mostrando o seu ponto de vista da situação, mais como uma explicação do que como uma justificativa. Não há qualquer intenção de fazer o leitor se simpatizar com o Charlie, mas apenas compreender o porquê a situação chegou nesse ponto.

Toda a narrativa é construída através do relato do Charlie, mostrando claramente ao leitor que a história toda já aconteceu e não que está acontecendo no momento da leitura. Alguns capítulos são flashbacks, onde o autor encaixa alguns fatos que podem ajudar a explicar essa dia de fúria do jovem.

Rage não chega a ser um livro de terror/horror, pois o conteúdo sobrenatural é praticamente ausente, porém aquela preocupação em se expor a fragilidade psicológica do ser humano está muito presente no texto, que embora seja bem curto, é muito bem desenvolvido.

A coisa mais interessante do livro e que me tocou bastante foram as cenas finais, quando finalmente é revelado a real situação do Charlie e para quem de fato ele está narrando toda a história.

Dos livros do Richard Bachman que eu li, Rage é com certeza o melhor deles e é o meu favorito disparado até agora, e se tornou um dos meus favoritos dentre os livros escritos pelo Stephen King. Livro recomendadíssimo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance, Stephen King, Suspense/Terror e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

9 respostas para Resenha: Rage, de Richard Bachman

  1. Maurilei disse:

    Gosto muito dos livros do King, o cara escreve muito bem. Me interessei pelo livro depois desta ótima resenha.

    http://www.bomlivro1811.blogspot.com

  2. Lucas Soares disse:

    Cassy, sei que não estou no post certo mas queria muito que você me dissesse uma coisa. Um dos tipos de livro que eu mais gosto de ler são aqueles que focam em um personagem principal que acaba se mostrando bem interessante, como o matador de reis, trilogia dos espinhos, gentleman bastards, o primeiro livro de mistborn, a saga do assassino… Poderia me recomendar outras séries desse mesmo estilo? Não importa se só tiver em inglês, pois também sei ler um pouco nessa língua. Obs: já conheço a série do Roland, de Mago e de terramar.
    Desculpe pelo trabalho rsrs mas adoraria se você ajudasse.

    • Cassy Teodoro disse:

      Vc quer dizer com narração em primeira pessoa? Bem, tem o livro do China Miéville que li recentemente e foi publicado aqui no Brasil há pouco tempo, chamado A cidade e a cidade. Até resenhei ele aqui.

      • Lucas Soares disse:

        Não, não precisa ser em primeira pessoa mas que tenha um foco geral em apenas um personagem, como os livros do Kvothe, Jorg e Locke, diferentemente de séries como Soiaf ou malazan, que focam em vários. Pode me dizer algumas nesse estilo? A série de Lightbringer seria assim?

      • Cassy Teodoro disse:

        Tem a Saga dos Assassino (The Farseer Trilogy), da Robin Hobb, focada no Fitz. Muito boa e recomendo muito. Quero começar a segunda trilogia em breve (sempre falo isso, eu sei. rsrs). Acho que as demais trilogias também são bem focadas no Fitz.

        A série Dresden Files, do Jim Butcher, parece-me bem focada no Harry Dresden. Eu li um conto que serve de prequel e é todo contado sob o ponto de vista do Dresden. Acredito que a série deve seguir a mesma linha.

        A Canção do Sangue, do Anthony Ryan, que resenhamos aqui há pouco tempo.

        Roubo de Espadas e Ascensão do Império, do Michael J. Sullivan, que é bem focada nos dois protagonistas da história, embora tenha outros povs.

        Sobre The Lightbringer vou ter que ler, perdi o ebook, quando o meu primeiro Kobo estragou e ainda não recuperei o livro no novo, vou fazer isso e ver se consigo ler e postar uma resenha aqui.

        Espero ter ajudado.

        Aos amigos que tiveram paciência para ler este comentário, deixem as suas sugestões também.

      • Lucas Soares disse:

        Agradeço muito, vou atrás desses todos que você disse.Continue o ótimo trabalho!

  3. Ois Cassy,

    Depois de ler o comentário tenho mesmo que voltar a ler King, sabes que é um escritor dificil para mim, mas vou voltar a serie Torre Negra🙂

    bjs

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