Resenha: Campanha no Afeganistão, de Steven Pressfield

Campanha no Afeganistão capaTítulo: Campanha no Afeganistão

Título original: The Afghan Campaign

Autor: Steven Pressfield

Publicação: 2008

Número de páginas: 316 páginas

Editora: Suma de Letras

ISBN: 9788560280261

Alexandre Magno (356 a.C. – 323 a.C) foi um dos ícones mais espetaculares de toda a história, um homem cujos feitos foram tão grandiosos que o fizeram, praticamente, um ente mitológico, jamais igualado quanto à sua capacidade estratégica e de comando. Mestre em retórica, política, ciências físicas e naturais, arte militar, medicina e geografia, Alexandre teve, como tutor, ninguém menos que Aristóteles.

Em 336 a.C, após o assassinato de seu pai,  Filipe da Macedônia, Alexandre assume o trono do Império e início um reinado marcado por conquistas épicas que tinham por objetivo último subjugar a Pérsia (atual Irã). Após sucessivas e avassaladoras vitórias contra o, então, maior exército do planeta, Alexandre conquistou a Síria, em 332 a.C., e, depois, o Egito. A cada reino que sucumbia à sua força, Alexandre crescia em prestígio. E foi assim que 2300 anos atrás, depois de estender seus domínios pelo Oriente Médio, Alexandre resolve invadir um vasto território, abrigo de várias tribos de etnias diferentes, que viria a se chamar, tempos depois, Afeganistão.

Amigos leitores compulsivos, de antemão peço desculpas pelas delongas, mas, como sou amante de narrativas históricas, não pude evitar o prelúdio como um aperitivo para a resenha de hoje, “Campanha no Afeganistão”, do fantástico (e fodástico) Steven Pressfield, em minha opinião, já disse aqui em outras oportunidades, o mais brilhante contador de ficções históricas da atualidade.

Neste livro, acompanhamos a incursão militar do exército macedônico no Afeganistão, no verão de 327 a.C, quanto Alexandre entrou em Artacoana (atual Herat), até o ano de 327 a.C, quando seu exército parte da cidade de Bactra rumo à Índia. E é, então, que história e ficção se misturam como só Pressfield sabe fazer. Nesta impressionante e inesquecível saga temos, como guia e narrador, um jovem grego de 18 anos, Matthias que, em busca de glória e reconhecimento, se junta a esta máquina de guerra mortífera: o exército da Macedônia.

Essa sacada foi fenomenal! Ao vermos as condições da guerra sob o olhar de um soldado comum, somos apresentados às várias facetas de Alexandre: o gênio militar, mas também narcisista; implacável, mas também sábio; temido, mas igualmente amado, e que fez tudo a seu alcance para atingir seus objetivos usando, para tal, os limites da arte da guerra. E ver tudo isso do ponto de vista de pessoas comuns é fenomenal, é como se estivéssemos nas fileiras do exército, na condição de telespectadores privilegiados.

A estória, habilmente construída em seus mínimos detalhes quanto à brutalidade empregada por ambos os lados em cada uma das sangrentas batalhas travadas, nos mostra a ferocidade dos guerreiros afegãos, dispostos a dar a vida em combate em nome da honra de pertencer a um lugar, algo que surpreendeu Alexandre e que fez da campanha afegã a mais longa e difícil de sua breve vida (ele viveu apenas 33 anos, mas, como vocês podem notar, com uma intensidade frenética). É tudo tão vívido que a tensão passada na narrativa se torna palpável! Enquanto apreciamos a epopeia de Alexandre, vemos como a guerra moldou nosso protagonista-narrador, Matthias: sua angústia ao abater um homem com as próprias mãos pela primeira vez, a amargura de estar longe de casa, a dor da perda…

Não tenho mais o que dizer, senão que, se você, tal qual este que vos escreve, gosta do estilo histórico-narrativo, Steven Pressfield não pode faltar em sua lista de leitura e podem confiar: esta jornada, na companhia de Alexandre, o Grande, pelos campos de batalha da Antiguidade, valerá cada minuto de seu tempo.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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13 respostas para Resenha: Campanha no Afeganistão, de Steven Pressfield

  1. Fábio Queiroz disse:

    Olá Lélio. Esse é certeza de uma ótima leitura na linha das narrativas históricas. Se ler, depois volte aqui para compartilhar sua impressões…e obrigado pela visita.

  2. Maurilei disse:

    Estou gostando muito da série O Conquistador do Conn Iggulden e As Crônicas Saxônicas do Bernard Cornwell. Saber que livros tão bem escritos tem muito do que realmente aconteceu é tudo de bom. Acabei de adquirir o meu exemplar de A Campanha no Afeganistão !

  3. Fábio Queiroz disse:

    Olá Maurilei, sério!? Encontrar os livros do Pressfield está um pouco difícil, sobretudo, porque faz uns bons anos que ele não é publicado por aqui. O último foi Caçando Rommel, em 2010. MAs te digo que valerá seu tempo, Pressfield é fantástico, sobretudo, os livros que tem como cenário as batalhas épicas da Antiguidade.

  4. Matheus Henrique disse:

    Acredito que esteja se transformando em especialista nos Livros de Pressfield. Eu já estava convencido a ler tudo do autor, a resenha só reforçou o desejo. Sou fã do Cornwell, e o que mais me atrai na escrita dele é a total empatia que temos com os personagens (no meu caso com Derfel), e pelo jeito Pressfield consegue fazer o mesmo, quiça melhor. Alexandre (continuando a conversa) foi um herói? Não sei, o desejo dele era anexar territórios e manter tudo sob seu estandarte. Mas com certeza foi um personagem memorável e digno de nota, até mesmo estudo. Lendo a resenha e comparando-a com a do Portões de Fogo senti uma preferência por este livro (rsrs).

    • Fábio Queiroz disse:

      Olá Henrique,
      Rapaz Pressfield é muito bom e eu, particularmente, gosto mais de seus livros do que dos de Cornwell, mas, claro, ambos são fenomenais. Quando a Alexandre ser heroi, bem, ele foi um grande líder, alcançou toda a glória possível a um ser humano com menos de 30 anos e era lembrado tanto por aliados como por inimigos como um gênio na arte militar e na estratégia. E vc tem razão, ele, como seus predecessores e rivais, queria como objetivo derradeiro a conquista do mundo conhecido usando, para tanto, todos os meios que justificassem este fim. então, herói? talvez para os macedônios, mas certamente não para os povos subjugados! Não esqueça de voltar aqui para compartilhar suas impressões sobre suas leituras hein..e obrigado pela visita.

  5. fiacha disse:

    Viva,

    Tenho pena que não apostem mais neste escritor por cá, tive a oportunidade de ler um livro dele (bem que gostava de ter tempo para reler) e sem duvida é um excelente escritor.

    Gostei muito da resenha até fiquei com vontade de ler

    Abraço

  6. Fábio Queiroz disse:

    Oi amigo Fiacha. Realmente é um grande autor. Pena que pararam de publicá-lo por aqui. O ultimo livro foi este, de 2008.

  7. fiacha disse:

    A ver se consigo arranjar em digital para ter no Kobo🙂

  8. Fábio Queiroz disse:

    Olá, amigo Fiacha,
    Se conseguires não irás te arrepender! O livro é fantástico, assim como todos os trabalhos anteriores de Pressfield. Abraço!

  9. Maurilei disse:

    Acabei de terminar a leitura desta obra fantástica. Por ser tudo muito bem detalhado e descrito, temos a impressão de estarmos juntamente com os combatentes de Alexandre ! Este foi o primeiro livro que leio do autor, e não vejo a hora de chegar o meu exemplar de A Última Guerreira !

  10. Fábio Queiroz disse:

    Que legal, Maurilei!!! Bem-vindo ao fã clube!! Este cara é demais. A Última Guerreira também é fenomenal e em breve trarei a resenha desta obra-prima, mas, ainda, tenho como meus preferidos Portões de Fogo (talvez por ser o primeiro livro lido e por ter me marcado bastante) e Tempos de Guerra (simplesmente soberbo).

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