Resenha: A Ilha de Sangue, de Rick Yancey

A Ilha de Sangue capaTítulo: A Ilha de Sangue

Título original: The Isle of Blood

Autor: Rick Yancey

Publicação: 2013

Número de páginas: 593 páginas

Editora: Farol Literário

ISBN: 9788562525988

Queridos amigos viciados em livro, nas últimas resenhas dediquei-me à série O Monstrologista, de Rick Yancey, que vinha me surpreendendo positivamente. E, como eu esperava, A Ilha de Sangue, terceiro e último volume da série linear (há um quarto livro, mas ele é um spin-off), fechou o trabalho com chave de ouro. Fenomenal, é o que me vem à cabeça para descrevê-la!

Nos livros anteriores, acompanhamos as aventuras e desventuras do Dr. Pellinore Warthrop, o maior monstrologista de sua época, e Will Henry, seu ajudante, na busca de respostas para fatos inusitados que envolviam, supostamente, seres da “biologia aberrante”, ou monstros, no dizer popular. Como vocês devem ter percebido, esta é uma daquelas séries com alto apelo visual, logo, creio que poderemos tê-la, algum dia, adaptada ou para o cinema ou como um seriado para a TV (portanto, leiam o quanto antes!!!).

Tecidas estas breves considerações, vamos, então, ao que interessa! Essa nova aventura tem início quando, como de costume, na calada da noite, Warthrop recebe uma visita inusitada: um homem misterioso chamado Wymond Kendall portando um objeto muito estranho, nos termos da monstrologia, um nidus ex magnificum: uma espécie de ninho (pelo menos quanto ao formato) mortífero ao mínimo contato, e com uma característica, digamos, muito peculiar: feito com restos humanos.

As vítimas (dentre as quais Wymond Kendall) depois de tocá-lo, passam por um doloroso processo de decomposição que os reduz a pele e osso tornando-os, ao cabo, monstros canibais sem a mínima racionalidade ou consciência do que um dia foram. Mais do que um artefato bizarro, o nidus poderia ser a arma mais mortal já vista e ela estava ali, ao alcance de Pellinore e Will. Mas quem o enviou? Por quê?

Considerado o segundo objeto mais raro e desejado na monstrologia – o primeiro é o Typhoeus Magnificum, o ser mítico responsável por esta arte macabra – nossa dupla parte em busca de respostas sobre sua origem. O destino, depois de muitos infortúnios e reviravoltas épicas em vários países – EUA, Inglaterra, Itália – os levará, enfim, à Ilha de Socotra, comumente conhecida como Ilha de Sangue, no meio do Oceano Índico, onde há rumores de que cadáveres de seres humanos são usados para fazer ninhos. A ilha seria, segundo as lendas locais, nada mais, nada menos, que o habitat do Typhoeus.

Em meio a um exuberante cenário de fantasia gótica, o livro segue o mesmo estilo narrativo dos volumes anteriores. A obra é marcada por uma alta dose de emoção e tensão, sobretudo quanto à conturbada e complexa relação entre Warthrop e Will, em minha opinião, o grande atrativo da série, mais até que a ficção fantástica em si. O clímax acontece quando, depois de abandonado por Warthrop, Will se vê ante uma difícil decisão que o levará aos limites da racionalidade (e de sua humanidade), sobretudo, depois da inesperada notícia da morte de seu tutor! (gente, apesar de impactante, essa informação não é spoiler, está na contracapa do livro).

Assim, depois de muita morte e sangue derramado, chegamos ao fim de nossa aventura com a sensação, pelo menos eu, de que não há monstros, mas homens e, ao fim, somos todos monstrologistas, como afirmara Will Henry. Basta um breve olhar introspectivo para vermos, tal qual em um espelho, a face do Typhoeus como o reflexo de nossa natureza obscura. Esse aspecto do livro traz, além de um excelente entretenimento, um convite à reflexão sobre o que, ou melhor, quem são, de fato, os monstros. Simplesmente fantástico.

Por último, mas não menos importante, a narrativa não é um fim em si mesma, pois ela, proposital e brilhantemente, deixa muitas perguntas e fatos sem respostas facultando ao leitor tirar suas próprias conclusões sobre o que, de fato, teria acontecido com nossos protagonistas. Essa técnica é bem interessante, pois, ainda que por alguns instantes, nos sentimos parte da trama. Resta-me, então, recomendar vivamente a você, ávido por uma leitura de qualidade e inteligente, esta série fantástica, merecedora, com todos os méritos, dos vários prêmios e elogios que a colocaram em uma posição de destaque entre as grandes obras do gênero.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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